quarta-feira, outubro 22, 2008

Melô das musas (pálidas)

Depois da árdua labuta, saí esbaforido rumo à Lapa, naquele fim de tarde. Queria reencontrar meus ídolos logo, depois de mais de um ano sem vê-los. Chegamos quase ao mesmo tempo ao Circo Voador. Eles saíram da van e fui cumprimentá-los. Tony, Areia e Fred se entreolharam sem entender o que eu fazia ali. Nervoso, mal consegui balbuciar algumas palavras.

- Vou ver vocês hoje e amanhã. Não os vejo há mais de um ano, mal podia esperar.

Fred me deu um abraço e seguiu em frente. O segurança, surpreendentemente gentil, me deixou entrar para ver a passagem de som. Não mais do que três músicas. Deleite total assim mesmo. Chega a putinha, digo, apresentadora de TV, para fazer uma entrevista com Zeroquatro. Espero um tempão e nada de ele vir para a gente trocar uma idéia. Tudo bem.

Fui em casa tomar uma ducha para me livrar da inhaca da redação. Voltei para a Lapa, dei uma rápida entrada no Estrela da Lapa, para abraçar o Maurício Valladares e (re) conhecer o Nando, uma figura lendária do IACS, que hoje apresenta o Ronca Ronca ao lado dele.

E de lá voltei para o Circo. Nem lotado como num show do Nação nem vazio. Cheio na medida certa para balançar o esqueleto sem ser pisoteado e reverenciar os caras. Encontro outras figuras lendárias, dessa vez do colégio, Christiano e Bernardo. Mas não fiquei com eles para ver o show.
Fui lá para o gargarejo, onde fiquei até a metade e depois subi para o mezzanino, para tirar fotos e ouvir melhor o som.

Lá de cima, vendo o show sozinho e o povão na pista, tive o estalo. As musas estão todas ficando pálidas. Mesmo as de pele morena. Em um canto vi a gringa de vestido vermelho, dançando e cantando, absorta. Do outro lado, a morena de saia, mini-blusa e barriguinha de fora, balançando seus quadris intermináveis. Mais pro meio, aquela menina indiferente, que pouco se importava com a homenagem, e nem entendia a mensagem, apenas esperando o show acabar para se livrar do tormento. Por fim, aquela outra que ainda está por vir, mas parecendo adivinhar o que está para acontecer, nem ao menos levanta o pescoço para me olhar.

Do outro lado, o Mundo Livre. Agora só em 2009, infelizmente. Segue o setlist.

1 Free World
2 O Mistério do Samba
3 A Expressão Exata
4 Intergalactic + Destruindo a camada de ozônio
5 Melô das Musas
6 Mexe Mexe
7 Computadores Fazem Arte
8 Meu Esquema
9 Maroca
10 Saldo de Aratú
11 O Outro Mundo de Xicão Xucuru
12 Muito Obrigado
13 E a Vida se Fez de Louca
14 Terra Escura
15 Super-Homem Plus

(Bis)

16 Bolo de Ameixa
17 Estela (A Fumaça Do Pagé Miti Subitxxy)
18 Livre Iniciativa

sexta-feira, setembro 05, 2008

Tudo (começa) e acaba em pizza

Quem não é fã da famosa redondinha italiana? Eu gosto muito. Inteira, ou aos muitos pedaços, estou sempre degustando. Salgadas, doces, não importa. Só não costumo comer mesmo as caras.

Um início alegrinho para nada. O assunto deste post de retorno não é dos melhores. Sempre tenho uma dificuldade imensa para encerrar vínculos. Mas dessa vez, mais do que necessário, parece inevitável, como aquele vinho maldito.

O paradoxo é que, de certa forma, tudo começou com pizza. E, apenas simbolicamente, terminou também em pizza. Para usar uma expressão muito na moda, posso dizer que se fechou um ciclo de quatro anos. Poderia ser olímpico, ou até mesmo eleitoral, mas é mesmo pessoal.

Quase quatro anos atrás, tudo começou como sempre começa: bem. Muitas pizzas, perguntas, respostas, olhares, risadas, uma caminhada, um abraço, um beijo... interesse. Aparentemente mútuo, que se confirmaria meses depois. Curiosamente, depois de encerrar outro vínculo.

Depois de tanto tempo, luta, paixão e sorte, como diria o amigo, parece que não sobrou nada. Uma declaração muito desagradável me desanimou de vez no mês passado. No fim, troquei a festa hipócrita do milhão para voltar aos velhos amigos do tostão, que não abandonam nunca.

Muitas pizzas, poucas perguntas, olhares enviesados, alfinetadas. Teimoso e burro, ainda tentei salvar a noite com uma cortês caminhada. Doce ilusão. Para uma pergunta simples e objetiva, uma resposta belicosa. Desisti.

Daí até o fim, silêncio sepulcral. Total ausência de diálogos, exceto os dos sapatos com o chão. Nada de olhares, nem de beijos, nem de abraços. O mais profundo desinteresse, e infelizmente mútuo. Como em um filme, vi quatro anos de amor e dedicação se transformarem em um monte de nada.

Meia hora sem palavras. Nada a dizer. Nesse tempo todo, talvez tenha sido o maior período em que ficamos calados. Tive que fazer uma piada sobre isso. Será que se fossêmos surdos-mudos as discussões teriam sido evitadas? Fui embora balançando a cabeça. A caminhada acabou.