segunda-feira, maio 14, 2007

Tirando onda no camarote

Normalmente assisto os jogos da arquibancada, ou da cadeira inferior, antiga geral, onde os ingressos são mais baratos e a distância do campo é menor, permitindo uma participação mais ativa durante as partidas, mas ontem foi diferente... Recebi uma
ligação por volta das 15:30:

- E aí vamos ao jogo?
- Como sempre...
- Vai de que?
- Devo ir de cadeira.
- Então não vai mais. Você acaba de ser convidado para o camarote!
- Que é isso? Beleza! Mas justo hoje que o ingresso é R$1?!
- Me encontra sete e meia lá em casa.
- Beleza.

Meu amigo de infância e atual afilhado de casamento, Vinicius, surpreendeu e arrumou um esqueminha bacana para a gente ver a partida em um camarote de uma empresa que presta serviço para a Petrobras, a Schlumberger. Fomos para o Rio Palace, onde nos encontramos com os outros engenheiros e bicões. Lá ficamos acomodados numa sala vip
com bebida e comida liberada, aguardando a hora de ir para o Maracanã.

Oito e meia, partimos em duas vans. Escolheram o pior caminho, Rebouças, Praça da Bandeira e Avenida Maracanã. Chegamos em cima da hora... até aí tudo bem, porque
quase sempre chego em cima da hora, mas aí começaram as diferenças: Entramos pelo portão 16, e subimos pela antiga rampa da arquibancada. Entramos no camarote junto com os times em campo.

Que diferença! Poltornas confortáveis, visão ampla, tv com replay, ar-condicionado, mais comida e bebida sem limite. O galo é massacrado no primeiro tempo, mas saiu na frente no placar graças a um solitário contra-ataque executado pelo Éder Luis. Para alegria dos dois mineiros que torciam pelo Atlético. O outro mineiro não tinha noção nenhuma e foi pro Maraca com a camisa do cruzeiro... correu sério risco de apanhar de ambas as torcidas! Mas saiu ileso.

Intervalo, papo ininteligível de engenheiros. Resolvi pedir a menina que servia os petiscos em casamento. Vai que ela aceita? Bonitinha, falsa ruiva, sorri o tempo todo, me dá comida e bebida o tempo todo, me dá transporte de ida e volta pra casa... a mulher perfeita! Ela continuou rindo, mas não respondeu. Nunca saberemos.

Fui ao banheiro liberar um pouco da quantidade industrial de cerveja que havia bebido. As pessoas começam a bater na porta e gritar. Pô, eu nem demorei tanto assim... Abro a porta, o jogo já recomeçou e o Botafogo empatou com 2 minutos! Imperdoável, e jamais aconteceria se estivesse na arquibancada! Mas, enfim... Me refestelei na poltrona e vi a virada, aos 10 minutos, numa cabeçada de Alex.

Tensão vai, calma vem. Fico vidrado com a festa dos 50 mil presentes ao Maraca. Acaba a partida, alívio, o Botafogo coloca uma mão na taça. A moça do cabelo de fogo, sempre sorrindo, ordena: - Vamos embora gente!

Somos rapidamente escoltados até as vans. Elas saem alucinadamente rápido, para fugir do povão e do engarrafamento. 15 minutos depois estamos de volta ao Rio Palace. Achei ótima a experiência, mas preferia ir de novo vendo outro time jogar. A emoção da cadeira e da arquibancada é impagável. E essa coisa de não se misturar, de fugir das "pessoas comuns", decididamente não é a minha praia.

Nenhum comentário: